Rompeu-lhe a mente como um trovão, e quando deu por si, o sujeito intimidador de fato preto com riscas vermelhas olhava-o expectante com um levantar de sobrancelha e um braço esticado ao seu lado, apoiando o corpo na mão encostada à parede. "Quem és tu?", perguntou ele na voz oca e soturna de há momentos atrás. O aspirante a jornalista não soube o que responder. Numa pose elegante, tombou ligeiramente a cabeça para trás sem nunca tirar os olhos do pequeno jornalista. "Estás interessado?", perguntou penetrando a sua mente com o olhar. O pequeno jornalista não soube o que dizer.
Ou melhor, soube exactamente o que dizer.
"Estou.", disse convictamente, chutando todo o medo e toda a incredibilidade que o originava. Levantou-se, e foi aqui que se deu conta que de facto jazia no chão, encolhido, a olhar para cima, como um insecto a olhar para um deus. Ficou à mesma altura do homem vestido a rigor para uma festividade fúnebre, e a confiança surgiu nos seus olhos. "Mesmo?", tornou a perguntar. "Sim.", respondeu com uma confiança apenas igualável à de um protagonista de uma série de animação juvenil japonesa.
Nem sentiu o calduço.
Foi tão rápido e com tanta força que antes de expirar o ar que tinha inspirado para preparar o prolongamento da sua resposta, já tinha a cabeça a tombar para baixo, pregando os olhos incrédulos no chão e nos sapatos elegantes do homem. Doeu-lhe bastante, mas não houve tempo para isso. A seguir ao calduço veio uma joelhada forte na barriga, levantando-o novamente para cima, e por fim o empurrão de uma força vectorial a pregá-lo contra a parede de tijolos laranjas da esquina. Sangue começou a correr da sua boca.
"Vou voltar a perguntar: Estás interessado?". A voz e expressão do homem não mudou. O jornalista ficou reticente e gaguejou ao soltar o "Não" esperado pelo homem bem vestido. "Pois, também me pareceu que não. Agora vai para casa."
A voz sem voz fez-se ler novamente na mente dos intervenientes. "Pára de afugentar a caça, já disse. Se ele está interessado, deixa-o vir." O homem fez um trejeito com os lábios, ainda de costas voltadas para o patético jornalista. "Estás interessado?", perguntaram novamente as letras saltitantes na sua psique. "Em que consiste o acordo?", perguntou mentalmente o jornalista enquanto olhava as costas do homem bem vestido. "Oh, nada de mais, nada de mais. E podes ter o que quiseres." "O que eu quiser?" "Sim, tudo o que queiras."
O homem formava uma expressão de impaciência, e o jornalista de desprezo. No entanto, quase que se ouvia o esfregar das mãos de uma outra entidade.
"Muito bem, que é necessário fazer para ser capaz de dar uma tareia àquele gajo com as minhas próprias mãos?"
Um sorriso maléfico nasceu numa expressão sem rosto.
Continua...
Ou melhor, soube exactamente o que dizer.
"Estou.", disse convictamente, chutando todo o medo e toda a incredibilidade que o originava. Levantou-se, e foi aqui que se deu conta que de facto jazia no chão, encolhido, a olhar para cima, como um insecto a olhar para um deus. Ficou à mesma altura do homem vestido a rigor para uma festividade fúnebre, e a confiança surgiu nos seus olhos. "Mesmo?", tornou a perguntar. "Sim.", respondeu com uma confiança apenas igualável à de um protagonista de uma série de animação juvenil japonesa.
Nem sentiu o calduço.
Foi tão rápido e com tanta força que antes de expirar o ar que tinha inspirado para preparar o prolongamento da sua resposta, já tinha a cabeça a tombar para baixo, pregando os olhos incrédulos no chão e nos sapatos elegantes do homem. Doeu-lhe bastante, mas não houve tempo para isso. A seguir ao calduço veio uma joelhada forte na barriga, levantando-o novamente para cima, e por fim o empurrão de uma força vectorial a pregá-lo contra a parede de tijolos laranjas da esquina. Sangue começou a correr da sua boca.
"Vou voltar a perguntar: Estás interessado?". A voz e expressão do homem não mudou. O jornalista ficou reticente e gaguejou ao soltar o "Não" esperado pelo homem bem vestido. "Pois, também me pareceu que não. Agora vai para casa."
A voz sem voz fez-se ler novamente na mente dos intervenientes. "Pára de afugentar a caça, já disse. Se ele está interessado, deixa-o vir." O homem fez um trejeito com os lábios, ainda de costas voltadas para o patético jornalista. "Estás interessado?", perguntaram novamente as letras saltitantes na sua psique. "Em que consiste o acordo?", perguntou mentalmente o jornalista enquanto olhava as costas do homem bem vestido. "Oh, nada de mais, nada de mais. E podes ter o que quiseres." "O que eu quiser?" "Sim, tudo o que queiras."
O homem formava uma expressão de impaciência, e o jornalista de desprezo. No entanto, quase que se ouvia o esfregar das mãos de uma outra entidade.
"Muito bem, que é necessário fazer para ser capaz de dar uma tareia àquele gajo com as minhas próprias mãos?"
Um sorriso maléfico nasceu numa expressão sem rosto.
Continua...

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