sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Ouço algo oco quando tenho algum contacto. Quando dou um passo, quando aperto uma mão. Quando forço um sorriso falso. Falta-me metade, ou mais de metade. Mas não interessa, porque isso não muda o peso no coração...

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Unshadow

To unshadow yourself
from the chains of destiny
break the glass you admire,
throw it to the ground,
then climb the stairs, and jump,

jump over your problems, over your rivals
over anything and anyone.

Don't be scared, I will be right behind you.
All that is required is for you to spread your wings
and die.
Simple isn't it?

Break a heart
fake a smile, if you must
fall in lust one more time.
Then, unshadow yourself from this unearthly desire,

climb higher and higher
plant the seeds of you ambition.
Fall without hesitation and the your world shall be yours to take.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Vingança

Todos os dias fantasiava com aquele momento em que havia sido interrogada na esquadra da polícia.

Lembrava-se de como a sua respiração havia acelerado, de como a sua roupa interior humedecera rapidamente. Do cheiro que emanava no ar, da pose dominante e ameaçadora do polícia que a interrogava sobre a morte de alguém.

Muito longe do que seria uma série policial.

Imaginou coisas enquanto respondia maquinalmente a sua versão da história, como se carregasse no “Play” de um gravador. Dava voltas ao raciocínio apenas com o objectivo de prolongar a sessão que na sua imaginação decorria, lançando furtivamente olhares sedutores ao homem fardado. Quando em pé, quase num sussurro, lhe perguntou onde tinha estado na noite anterior, imaginou-se a satisfazê-lo sem restrições, de joelhos, como vadia que era, vagabunda e rameira de desejo.

“Com quem estava nessa noite?”, perguntou o polícia impaciente. Todas as provas estavam contra ela. “Está com ciúmes, senhor polícia?”, respondeu, sempre provocadora.

Entre olhares gélidos e quentes, entre carícias e estaladas que não aconteceram, nasceu o silêncio. A troca de tiros cessou, e a guerra chegou a um impasse. Na mente de cada um algo decorria. Se a mesma coisa, ninguém sabe dizer ao certo.

O que é certo, é que todos os dias acorda humedecida entre gemidos com a fantasia na cabeça, e que através das barras vê o Sol de uma libertinagem que perdeu com um sopro de vingança.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

belas são as rosas que as pessoas prometem

e não reflectem
no precipício da empatia
numa teia de mentira
numa negação dos sentimentos que sentem
mas que não negam

domingo, 16 de agosto de 2009

Escrita Criativa #3

- Cabelo negro (dito)
- T-shirt branca
- Estatura mediana (dito)
- Calças negras
- Psicologicamente instável
- Extremo sentido de Justiça (dito)
- Protector (dito)

Possuído por um desejo extremo de honrar a Justiça acima de tudo, visível no olhar de insanidade leve que em momentos de maior tensão lhe assombra a face. Quente de olhar e toque quando toca a pessoa amada, torna-se louco e arrogante quando desafia os obstáculos que lhe são impostos. A dualidade é a sua imagem de marca, tanto em psicologia como em vestuário. T-shirt branca sobre calças pretas sobre um calçado branco confortável que aparenta ser um híbrido de ténis e botas.

Olha nos olhos quem o encara. Escreve barbaridades literárias e toma posse do livre arbítrio da Humanidade quando dança entre as boas e más acções. Olhos e cabelos negros, curtos, que erguem pequenas pontas aos céus com o passar de um vento súbito. Quem o olha pensa que vem despenteado, quando na verdade os seus cabelos são a personificação da arrogância da convicção de que foi escolhido por Deus e que as suas conspirações internas para O destronar irão sair vitoriosas no futuro próximo.

Protector dos mais próximos, ofensor dos que vão contra as suas ideias, subsiste algures, amado por uns e odiado por outros. Tudo depende do quanto o conhecem.

sábado, 8 de agosto de 2009

Escrita Criativa #2

Algures numa praça vozes miudinhas enchem o ambiente. O cheiro a café domina e o vento empurra as preocupações de forma leve e despreocupada. Nessa praça há um rapaz perdido das suas raízes, que é balançado para trás e para a frente pelos empurrões estranhos e os tropeções violentos. Inevitavelmente, cai. Cai mas não se levanta. Cai mas continua estendido pela calçada num gesto que confirma uma hesitação; um sinal
de derrota.


Uma mão vinda e cheia de nada surge como mote para esperança nos olhos do pequeno rapaz, que os ergue em direcção ao vazio. Que vê ele? Uma silhueta tapada pela luz, destinada a causar desilusão. A mão chega mais perto mas muda subitamente de direcção para apanhar uma moeda caída, soltando um sorriso matreiro de cor branca na face ofuscada.


Os olhos enchem-se de lágrimas e o miúdo caído murmura algumas palavras que se desintegram no vazio silencioso da multidão, sem chegarem ao seu receptor, que já vai acolá, em passo apressado na direcção de uma tabacaria.


O miúdo agarra o calçado com unhas de fera e exerce uma pressão superior à sua capacidade e consegue pôr-se de joelhos para chorar o momento em que largou a mão da mãe, orientadora e educadora deste futuro cidadão que se afogou na sociedade.


Enxuga as lágrimas num lenço que esvoaçava perto, preso a uma árvore, e olha em redor mais uma vez. Parece ver a mãe ali ao fundo, a entrar numa pastelaria. Corre com todas as forças, mas a meio caminho, parece vê-la de onde viera, a cruzar uma passadeira em direcção a outra praça mais abaixo. Perde-a de vista. Sente-se confuso e perdido. Olha em redor esperançoso e vê-a ao fundo a entrar num pequeno café após uma passadeira ao lado esquerdo. Vira o olhar em frente e vê-a a entrar numa papelaria. Volta novamente e vê-a numa esplanada logo a seguir. Vê-a em dois sítios quase ao mesmo tempo e sente-se desorientado. Sente-se um mendigo vagante na areia de um deserto grande, sob o Sol do meio-dia, também, e com sinais de fome.


Cai mais uma vez. Cai, não; senta-se. Senta-se num dos degraus gigantes que fazem a divisão da praça. Ao seu lado uma estátua de pedra conforta-o, dizendo que a sua mãe virá em breve com um sorriso no rosto, uma mão esticada e uma aura radiante. Mas o rapaz não acredita. A ingenuidade e a inocência de criança já não é suficiente para o fazer acreditar numa esperança vã, numa ilusão, e cai na realidade. A estátua cala-se, as silhuetas da mãe desaparecem e o lenço desfaz-se em partículas minúsculas ao sabor do vento, rapidamente substituído por um Sol escaldante.


O rapaz imprime uma cara triste e um olhar vago, vazio, reflectindo claramente os seus sentimentos, a sua paranóia e desespero pessoal… Um outro rapaz passa a comer um pastel de nata de mão agarrada à mãe. Faz-lhe inveja e olha-o. O rapaz anónimo sente raiva pelo seu infortúnio e revolta-se. Pega numa pedra e atira à cabeça do idiota feliz inconsciente da sua sorte. A mão cai, a pedra voa, a cabeça abre-se, o corpo jaz no chão e o sangue espalha-se na calçada. Gritos. Gritos. Gritos. Gritos e berros. Drama e horror. Desespero e raiva, e um rapaz de pescoço cortado ao pé de uma montra partida, ouvindo feliz o choro da sua mãe a seu lado.

sábado, 1 de agosto de 2009

Escrita Criativa #1

Transporte. Abrantes. Jardim. Banco. Passos. Ecos. Sol. Sombra. Solidão.

Mesas. Cadeiras. Lápis. Canetas. Professores. Estudantes. Colegas. Grupo. Solidão.

Transporte. Música. Noite. Vento. Lua. Escuridão. Frio. Solidão.

Mãos. Aperto. Sorriso. Luz. Partilha. Conforto. Discussão. Conhecimento. Evolução. Companhia. Calor. Amizade. Honestidade. Inocência. Pureza... Felicidade.

Tempo. Velocidade. Amizade. Fractura. Ilusão.

Exames. Férias. Traição. Guerra. Angústia. Raiva. Corte. Solidão.

Início. Solidão. Futuro. Solidão.

Passado. Quebra.

Adeus.